Cerca de 85% das habitações do concelho de Ferreira do Zêzere foram afetadas pela depressão Kristin e centenas de famílias continuam a enfrentar falhas no fornecimento elétrico e danos estruturais nas suas casas, numa fase em que a recuperação avança mais lentamente do que o necessário por falta de equipas técnicas especializadas no terreno.
Nos dias que se seguiram ao temporal, o concelho recebeu a visita de várias entidades nacionais que acompanharam de perto a resposta à situação, entre as quais o Presidente da República, membros do Governo, secretários de Estado com tutela nas áreas da energia e infraestruturas, responsáveis da e-Redes e estruturas nacionais de proteção civil. As deslocações incluíram reuniões técnicas, avaliação de danos e definição de medidas de resposta, refletindo o reconhecimento institucional da gravidade do cenário vivido no território.
Bruno Gomes, presidente do Município de Ferreira do Zêzere, acredita que a dimensão do concelho e o seu posicionamento no interior parecem não conseguir competir com grandes centros urbanos também afetados, sendo evidente que Ferreira do Zêzere cai no esquecimento, não fosse a ação do município, após a saída das entidades e dos meios de comunicação social. A autarquia sublinha que os ferreirenses precisam de visibilidade para que o país compreenda a real dimensão das dificuldades ainda existentes.
Mais de uma semana após o temporal, muitos telhados permanecem destelhados. As lonas distribuídas pelo município, muitas delas enviadas em gestos de solidariedade de todo o país, têm funcionado apenas como soluções provisórias, frequentemente arrancadas pelo vento. As telhas que continuam a chegar representam a solução mais duradoura, mas a generalidade dos agregados familiares não têm capacidade física e conhecimentos e não raras vezes condição financeira, nem encontram profissionais disponíveis para realizar intervenções básicas.
A fragilidade habitacional traduz-se, ao dia de hoje, em mais de duas dezenas de deslocados e mais de uma dezena de desalojados, num contexto de crescente vulnerabilidade social e emocional entre famílias que veem as suas casas expostas e instáveis. O Município, a Proteção Civil, os Bombeiros locais, voluntários e equipas mobilizadas para o território, encontram-se a intervir diretamente em várias habitações, após terem sido assegurados os trabalhos essenciais de limpeza e reposição da circulação. Ainda assim, a dimensão da destruição ultrapassa claramente a capacidade humana das equipas disponíveis.
Paralelamente, as equipas do serviço social, em articulação com o Instituto da Segurança Social e com o apoio de dezenas de voluntários, permanecem no terreno a identificar necessidades e a garantir a distribuição de alimentos e roupa quente, possível graças ao apoio contínuo de entidades públicas, privadas e de cidadãos de todo o país.
Apesar de tudo isto, “estamos numa fase em que a solidariedade foi essencial, mas já não chega. Sem equipas técnicas especializadas e reforço operacional imediato, muitas famílias continuarão expostas e a recuperação será demasiado lenta”, são precisas no terreno equipas técnicas multidisciplinares (eletricistas, carpinteiros, pedreiros e avaliadores estruturais) autónomas e com capacidade de intervenção em coberturas e reparações exigentes, sistemas de estabilização e ferramentas para reparações urgentes, diz Bruno Gomes Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere em comunicado.


